sexta-feira, 27 de junho de 2014

Resenha do livro Biofobia, de Santiago Nazarian

Meu primeiro contato com Santiago Nazarian se deu por conta de um flyer do SESC-Campinas, em que ele participaria de um bate papo e oficina por lá. Não pude ir, mas descobrir um escritor brasileiro que havia publicado vários livros legais ainda novinho me fascinou, e por sorte, encontrei numa sebo a obra Mastigando Humanos que, juro, explodiu minha cabeça adolescente.

Acompanhando-o no Facebook, ao saber que iria lançar um novo livro fiquei muito ansioso, pois fazia tempo que não lia nada dele. E quando peguei o meu exemplar, tratei de botá-lo na mesa para devorar ele.


Em Biofobia, Nazarian traz suas marcas registradas: humor negro, referências pop e clima sombrio.

A história acompanha André, um rockeiro de meia idade com a fama em declínio que acabou de perder a mãe, uma famosa escritora que se suicidou. Como antes de morrer a mãe havia avisado para distribuir todas as coisas dela para amigos e parentes, André vai a casa dela, localizada numa mata de difícil acesso. Lá, enquanto as pessoas não vêm, ele começa a refletir sobre sua vida, sobre as escolhas da mãe e tenta sobreviver ao tédio e depressão que começam a sondá-lo.

Achei um pouco difícil me identificar com o protagonista, é difícil até ter pena dele, com suas birras, frustrações e pedidos de atenção. Mas isso não é ruim para o livro, porque me simpatizei pela natureza, a antagonista, que várias vezes o ferra e o atormenta na casa, já que não há mais ninguém para conter o avanço dela sobre o lugar.

Isolado mesmo quando a irmã chega ao lugar, e depois na companhia de amigos, vemos André se afundar e delirar, e o resquício de pena acaba se tornando medo por ele e dele.

O romance começa realista e com uma pegada existencial, mas conforme a narrativa se desenrola, vamos perdendo junto com o protagonista a noção de realidade e a história começa a flertar com o thriller e o terror. Biofobia nos deixa tenso, nos arranca risadas, deixa a boca amarga com certas reflexões, nos dá esperança e nos tira, nos deixa loucos, tudo isso recheado de referências a música e literatura, algo que curto muito.

Meu lápis super adequado para a leitura e uma referência a música de um dos meus cantores preferidos: Heroes, do Bowie.

Eu, tive o privilégio de ler o livro numa chácara, tendo como companhia o som de grilos, vento e madeira estalando com o frio, e com certeza isso deu todo um clima para a leitura que recomendo. Aos biofóbicos, talvez um app com sons de mata sirva também ;-)

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