sábado, 20 de setembro de 2014

Resenha do livro Sagas 2 - Estranho Oeste

Continuando a saga de ler a coleção Sagas da Argonautas Editora, acabei o segundo volume que tem como título Estranho Oeste. A obra traz uma combinação de faroeste e terror em 5 contos de autores nacionais.

Capa do livro Sagas 2 - Estranho Oeste

Antes de começar a resenha devo dizer que jamais leria uma história de faroeste se não fosse por essa obra. Meu interesse por faroeste sempre foi no audiovisual, graças as aventuras de Pica Pau e Pé de Pano e alguns clássicos do cinema. Então, antes de mais nada devo agradecer aos editores da Argonautas por acabarem com esse preconceito meu.

Com o prefácio do jornalista e crítico de cinema Thomaz Albornoz conhecemos melhor a mistura dos gêneros western e weird, com seu início, que se deu nas telas do cinema e não na literatura, em filmes como A Caveira Que Assobia e séries como The Phantom Empire, na década de 30. É uma breve e valiosa introdução que não apenas nos deixa dentro do cenário que virá como também nos dá dicas de materiais para correr atrás para se aprofundar no tema. Após o prefácio, Cesar Alcázar, um dos fundadores da Argonautas Editora, atiça nós leitores ao comentar sobre os autores e suas histórias.

Vamos aos contos?

Bisão do Sol Poente, de Duda Falcão. Kane Blackmoon é um mestiço caçador de recompensas. Em sua busca por um dos criminosos mais procurados da região, Hernandes Caldéron, Kane faz amizade com um índio sioux que lhe conta sobre uma entidade maligna que foi libertada e está envolvida nos crimes recentes do bandido. Juntos eles tentarão novamente prender aquilo que não devia ter sido solto. Duda Falcão abre a antologia com um ótimo conto, um dos meus preferidos, claramente inspirado no terror lovecraftiano. A capa do livro é inspirado nele, aliás. A história do personagem central é muito bem construída e nos faz desejar ver mais coisas com ele.
"Kane Blackmoon abriu as portas de todas as casas e encontrou o mesmo quadro de desespero estampado no rosto das vítimas. Isso quando ainda conservavam suas faces, sem terem sido desfiguradas por potentes garras."
Aproveite o Dia, de Christan David. O pistoleiro Jeremiah Duncan decide entrar num saloon para se alimentar e descansar. Mas o lugar se revela uma péssima escolha. A dona dele, Mama Belle. é uma feiticeira vodu em busca de ajuda para quebrar uma antiga maldição, e vê em Jeremiah o seu possível salvador. Com um humor cômico intercalando com cenas de terror, Christian David nos entretém de maneira hábil e instigante. Não conhecia nada do autor e essa foi uma boa descoberta da obra.
"Aquela loucura toda era demais para mim, não queria saber de feiticeiras vodu, Loas ou feitiços de qualquer ordem, muito menos de traições, vinganças e mulheres enganadas. Essas últimas eram ainda mais perigosas do que qualquer coisa sobrenatural."
Fé, de Alícia Azevedo. Uma freira em missão tem sua fé praticamente destruída após um massacre na vila que estava, onde crianças foram brutalmente assassinadas e ela, violentada. A protagonista sobrevive e é confrontada com um ser sobrenatural, que oferece a ela a oportunidade de vingança, caso ela lhe dê sua fé. Enquanto lia, pensei em Kill Bill, A Vingança de Jennifer e Machete. A ideia da mulher em busca de vingança é pouco explorada na literatura, até onde sei, ainda mais uma freira, e a Alícia Azevedo mandou muito bem aqui. Num outro nível, é também uma história contra o "progresso acima de tudo".
"- Não quero corrompê-los,  quero que tenham a ilusão de impunidade e segurança para atingi-los onde mais dói e quando menos esperarem."
Justiça... Vivo ou Morto!, de M. D. Amado. O pistoleiro Cole Monco é acordado com o som incessante e irritante de tiro próximo a sua casa. Ao verificar o que está acontecendo, encontra um jovem treinando a pontaria, ele perdeu a família e quer se vingar. Cole, que se identifica com o garoto, decide ajudá-lo e acaba se metendo numa série de intrigas que o faz reavaliar suas escolhas. Eu estava com uma expectativa bem alta para ler este conto do Marcelo Amado, porque o conheço como editor da Estronho, tenho muita admiração por ele e nunca tinha lido seus escritos. E se na vida quanto maior a expectativa, maior a decepção, na literatura não foi bem assim. Esse foi um dos meus contos favoritos da antologia. Assim como o de Christian, é muito bem intercalado o humor e o terror e a trama tem plot twists muito bem realizados.
"Depois de ter certeza de que o índio não mentia, Cole soltou Ayanna e desarmou o cão.
- O filho da puta teve o que merecia."
The Gun, The Evil and The Death, de Wilson Vieira. Um bandido arrogante de nome Tom William Ketchum, em suas andanças para fugir da lei, acaba numa cidade isolada. Por conta da chuva, decide entrar numa cantina, aparentemente vazia. Quando um homem sai das sombras, ele é avisado que o lugar está fechado pois haverá um julgamento ali, mas enquanto parte do júri não chega, ele decidem papear. Wilson Vieira tem uma carreira imensa com quadrinhos de faroeste e isso é bem visível no conto, já que ele descreve muito bem o visual e os acessórios que o personagem usa, citando nomes e ano de fabricação. Mas eu não curti o linguajar técnico, as expressões em espanhol e nem a caixa alta. É algo que funciona bem nos quadrinhos, mas em textos literários me incomoda um pouco. Quase larguei o conto na metade, mas me forcei para continuar e a leitura melhorou do meio para o final.
"- BAH... Que MIERDA... Ainda bem que tudo aquilo foi só um pesadelo... Sei lá! Bem, mas agora o que preciso mesmo é de uma caneca cheia de mezcal! EI, TEM ALGUÉM AÍ?"
Capa ilustrada por Fred Macedo
A ilustração fantástica da capa é do cearense Fred Macedo, que também ilustrou os volumes 3 e 4 da coleção Sagas. 

Sumário do livro Sagas 2 - Estranho Oeste
O projeto gráfico do livro é muito bom...

Capa pulp do livro Sagas 2 - Estranho Oeste
... e evoca as famosas revistas pulp do século passado.

O segundo volume de Sagas possui, como o primeiro, 144 páginas. Adquira o seu exemplar na loja CH: bit.ly/estranhooeste

E que venha agora o volume 3, O Martelo das Bruxas!

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