A leitura de outubro para o Desafio Literário do Tigre tinha como tema "Amor", e como o blog é de terror, consegui uma obra que junta os dois muito bem: A Menina Submersa, de Caitlín R. Kiernan.
Imp é louca e é ela quem narra a história. Sua mãe e avó que se suicidaram também apresentavam o mesmo diagnóstico de esquizofrenia. Mas com terapia e medicamentos, ela consegue levar uma vida relativamente normal.
Certo dia, andando pelo bairro, ela encontra caixas na rua com diversos artigos e decide fuçar para ver se encontrava algo de seu interesse. A dona das caixas, que pareciam abandonadas, aparece e elas travam uma conversa, de início ríspida, mas que vai abrandando e marca o começo de uma amizade entre Imp e Abalyn. Uma amizade que logo se torna em namoro com ambas vivendo juntas.
A história começa a tomar contornos mais sinistros quando Imp encontra certa noite uma mulher nua na beira da estrada e a leva para casa para cuidar dela. Abalyn se irrita com a atitude inocente e perigosa de Imp, mas ela apenas faz o que acha melhor.
Eva Canning, a misteriosa mulher ajudada, vai embora no dia seguinte, mas desde então passa a assombrar Imp, e sua história começa a se confundir com histórias de sereias e lobisomens.
Eu li junto com a Bruna La Serra esse livro e foi legal poder comentar a leitura conforme prosseguíamos. A Menina Submersa definitivamente não é uma literatura de entretenimento, não é fácil avançar, pois ele se apresenta como um quebra-cabeça do início ao fim. Como quem conta a história é alguém com transtornos mentais, uma narradora muito bem criada pela Kiernan, algumas informações se repetem, se desencontram, se quebram, se constroem. Ter alguém com quem comentar as dificuldades de leitura foi muito bom, para trocar figurinhas e tentar entender melhor cada situação (obrigado, Bru!).
Embora a sinopse do livro comente de inspirações em Poe e Lovecraft, não vi nada lovecraftiano. Eu diria mais é que é um casamento de Edgar Allan Poe e Virginia Woolf, pelo terror psicológico e pela profundidade ao drama pessoal, o fluxo de consciência e a força feminina na história.
Como o tema do Desafio é "Amor", queria comentar um pouco mais sobre a relação entre Imp e Abalyn. Não é um relacionamento entre mulheres propriamente dito, Abalyn é uma transgênero, nasceu homem mas fez cirurgia de mudança de sexo. Uma das partes mais interessantes do livro é quando Abalyn conta sua história, as dificuldades que passou por seus pais não a aceitarem, e discute com Imp sobre sua escolha (que não foi uma escolha) e sobre sua mudança (que não foi uma mudança).
Embora minha leitura tenha atrasado, gostaria de ter lido A Menina Submersa ainda com mais calma, porque este livro tem muitas camadas e referências que me agradaram muito. Recomendo!
***
Caso queira adquiri-lo, ainda há um exemplar do livro da Caitlin Kiernan à venda na loja do Coisas Horrorosas (com 25% de desconto), aproveite!
Imp é louca e é ela quem narra a história. Sua mãe e avó que se suicidaram também apresentavam o mesmo diagnóstico de esquizofrenia. Mas com terapia e medicamentos, ela consegue levar uma vida relativamente normal.
Certo dia, andando pelo bairro, ela encontra caixas na rua com diversos artigos e decide fuçar para ver se encontrava algo de seu interesse. A dona das caixas, que pareciam abandonadas, aparece e elas travam uma conversa, de início ríspida, mas que vai abrandando e marca o começo de uma amizade entre Imp e Abalyn. Uma amizade que logo se torna em namoro com ambas vivendo juntas.
A história começa a tomar contornos mais sinistros quando Imp encontra certa noite uma mulher nua na beira da estrada e a leva para casa para cuidar dela. Abalyn se irrita com a atitude inocente e perigosa de Imp, mas ela apenas faz o que acha melhor.
Eva Canning, a misteriosa mulher ajudada, vai embora no dia seguinte, mas desde então passa a assombrar Imp, e sua história começa a se confundir com histórias de sereias e lobisomens.
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Eu li junto com a Bruna La Serra esse livro e foi legal poder comentar a leitura conforme prosseguíamos. A Menina Submersa definitivamente não é uma literatura de entretenimento, não é fácil avançar, pois ele se apresenta como um quebra-cabeça do início ao fim. Como quem conta a história é alguém com transtornos mentais, uma narradora muito bem criada pela Kiernan, algumas informações se repetem, se desencontram, se quebram, se constroem. Ter alguém com quem comentar as dificuldades de leitura foi muito bom, para trocar figurinhas e tentar entender melhor cada situação (obrigado, Bru!).
Embora a sinopse do livro comente de inspirações em Poe e Lovecraft, não vi nada lovecraftiano. Eu diria mais é que é um casamento de Edgar Allan Poe e Virginia Woolf, pelo terror psicológico e pela profundidade ao drama pessoal, o fluxo de consciência e a força feminina na história.
Como o tema do Desafio é "Amor", queria comentar um pouco mais sobre a relação entre Imp e Abalyn. Não é um relacionamento entre mulheres propriamente dito, Abalyn é uma transgênero, nasceu homem mas fez cirurgia de mudança de sexo. Uma das partes mais interessantes do livro é quando Abalyn conta sua história, as dificuldades que passou por seus pais não a aceitarem, e discute com Imp sobre sua escolha (que não foi uma escolha) e sobre sua mudança (que não foi uma mudança).
Embora minha leitura tenha atrasado, gostaria de ter lido A Menina Submersa ainda com mais calma, porque este livro tem muitas camadas e referências que me agradaram muito. Recomendo!
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