sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

#DLdoTigre - A Planta da Donzela, de Glauco Mattoso

Caraca, acabei de ler o livro A Planta da Donzela, do Glauco Mattoso, e ainda estou rindo do final... Mas não, não começarei a falar do livro pelo final, é só que ele está tão fresco ainda e é tão irônico...

homenagem ao livro, com o pé que mais amo
A história gira em torno basicamente de três personagens: Leopoldo, Amélia e Horácio, respectivamente, o cara romântico, a donzela idealizada e o pavão conquistador. Leopoldo tem tábuas no lugar dos pés e é desajeitado, se apaixona por Amélia a primeira vista, antes mesmo de descobrir seus pezinhos miúdos do qual ela se envergonha. Amélia, essa Cinderela, perde um sapato que Horácio encontra e lhe desperta uma fixação erótica.

Gosto como os personagens se transformam no decorrer do livro. Aliás, se transformam talvez seja uma expressão errada. Gosto como eles se revelam. O idealista mostra contornos sádicos, a donzela fica cada vez mais manipuladora e, na mesma proporção, vemos o esnobe se apresentando mais e mais servil.


A minha primeira escolha do Desafio Literário do Tigre não podia ter sido mais acertada, nada como começar o ano lendo uma história fetichista, podólatra, com direito a romance, sadomasoquismo e até história da moda. Tudo isso batido num liquidificador e temperado com referências pop.

Mais do que comentar sobre o conteúdo do romance, quero comentar a minha escolha do livro, já que o desafio de janeiro era escolher um livro que estava parado na estante. Por que um livro tão foda estava largado ali?!

Tudo começou com uma troca de emails que iniciei em março de 2010 com o próprio Glauco Mattoso, eu havia mandado um email para elogiar a antologia de textos sadomasoquistas que ele ajudou a organizar e para falar de uma possível vinda dele pra Campinas. Ele foi muito gente boa, lembro que ele sempre terminava as mensagens mandando um abraço no tornozelo, uma lambida na sola do sapato, etc hahahahaha.

Nessas conversas, lembro de ter mandado uns encadeamentos aos Haicais Fecais do Glauco, e ele curtiu, trasheiras do tipo:

Ouvindo já sei
quem peidou na multidão:
alguém que enrabei.
[glauco mattoso]

O cheiro do cu provoca
novo vigor na piroca.
[rafael noris]

Bashô chora com esse renga! hahaha. Mas voltando, ele me mandou esse livro, mas ainda não o tinha lido, pois ele é uma paródia libertina de uma obra do José de Alencar, chamada A Pata da Gazela, e eu não queria ler A Planta antes de ter lido aquele que gerou a nova versão. Uma tremenda bobagem, o livro de Glauco é completo em si mesmo e o que precisamos saber do original ele faz questão de mostrar, já que ele cita passagens da história na versão do “romancista da época”.

Até hoje de Glauco só conhecia a poesia, tenho vários livros de sonetos dele, cujo meu favorito é o Sonetário Sanitário, que também aqui indico.

Em fevereiro, o desafio é escolher um livro pela capa e já decidi qual será: Evil Dead, arquivos mortos, de Bill Warren, edição de luxo da Darkside Books:



Até a próxima, galera!

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