segunda-feira, 28 de julho de 2014

Resenha do livro RIO: Zona de Guerra, de Leo Lopes

Com um romance policial cyberpunk, tanto o autor Leo Lopes quanto a editora AVEC dão seu primeiro passo no mercado editorial. E como dizem, "começaram com o pé direito"!


Em RIO: Zona de Guerra, Leo Lopes nos apresenta o Rio de Janeiro num futuro próximo, onde a sociedade vive dividida por uma Fronteira física, onde pobres e marginais são jogados de um lado e os ricos ficam em outro, protegidos por polícias corporativas, já que o Estado deixou de conseguir oferecer segurança e manter a ordem.

Enquanto muitos sonham em viver na Barra da Tijuca, acompanhamos o detetive Carlos Freitas, que decide abandonar sua carreira lá e viver na Zona de Guerra, para o horror de seus colegas. Seis anos se passam e Freitas se adapta bem ao lugar, é respeitado e querido por vários moradores, mas a investigação da morte de uma prostituta o leva de volta para o lado de dentro da Fronteira.

Eu não sou fã do gênero policial, mas ao descobrir o lançamento de uma obra que retrata o Brasil como um cenário distópico, precisei devorar a obra o quanto antes. Curto muito quando nossos autores se debruçam em imaginar o nosso país, com passados alternativos ou possíveis futuros.

Talvez por Leo Lopes ter formação em Direito, ele consegue envolver facilmente o leitor nas situações investigativas e no uso da retórica para manipular personagens e confundir os sistemas de segurança da história. E como a história se desenrola numa época não tão distante, é fácil para a gente suspender a realidade e se envolver.

A escrita do autor tem bastante ação e os cenários são bem descritos, o que me fez sentir em partes vendo um filme. Seus personagens são em sua grande maioria clichês, mas a história não. Inclusive, quanto mais a trama se desenrola, mais inovadora ela fica, e as características de ficção científica vão ficando cada vez mais fortes.


Embora a história não necessite de uma continuação, é difícil não terminar o livro com vontade de ler mais sobre esse universo, ver o que virá depois e depois. As 200 páginas parecem pouco para um mundo tão rico e com tantas tramas possíveis. Embora a editora não tenha anunciado, fico no aguardo de um RIO: A Fronteira ou algo assim :-)

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